Câmara debate problemas no HM Regional após suspensão de atendimentos na obstetrícia
Em reunião de urgência nesta segunda-feira, discutiu-se a suspensão dos atendimentos do Centro Obstétrico do Hospital Montenegro (HM Regional), que deixou de receber gestantes a partir da última sexta-feira. Convocada pela mesa diretora, a reunião foi liderada pela presidente da Casa Legislativa, Ana Paula Machado, e contou com a presença da secretária municipal de Saúde, Andreia Coitinho, do diretor do HM Regional, Jeferson Alonso, além de todos os parlamentares da Câmara de Vereadores.
A secretária Andreia Coitinho detalhou as medidas emergenciais adotadas pelo município para garantir que nenhuma gestante fique desassistida. Segundo ela, todas as pacientes que procurarem o Pronto Atendimento serão avaliadas e, se necessário, transferidas com segurança para hospitais de referência, como os de Sapucaia do Sul e Canoas. A transferência é feita por ambulância com um enfermeiro obstetra para acompanhamento. Ela reforçou que, mesmo em situações de parto iminente, a equipe do município está preparada para realizar o primeiro atendimento em uma sala organizada para isso, com instrumentais e um berço aquecido disponíveis, para depois estabilizar e encaminhar a mãe e o bebê.
O diretor Jeferson Alonso explicou que a suspensão foi uma decisão técnica e de segurança, tomada devido à impossibilidade de completar a escala de médicos especialistas, o que configurava risco para gestantes e recém-nascidos. Ele afirmou que a medida é temporária e que o hospital notificou a Secretaria Estadual da Saúde, solicitando um plano de contingência. Alonso ressaltou que o HM Regional é um hospital privado com contrato estadual e que a crise financeira da instituição, com dívidas acumuladas com médicos desde o ano passado, é um dos fatores que agravam a situação. A solução de longo prazo, segundo ele, depende de um aporte financeiro do Ministério da Saúde, já confirmado e com previsão para até maio, e da reestruturação do contrato com o estado para que os serviços fiquem prejudicados.
Durante o debate, os vereadores manifestaram profunda preocupação e indignação com a forma repentina da suspensão, que pegou a população e o poder público de surpresa. Os parlamentares cobraram celeridade do estado na regulamentação do plano de contingência e se comprometeram a articular politicamente, inclusive em esfera federal, para agilizar os repasses que podem solucionar a crise.