CPI do Hospital Montenegro teve nova oitiva na manhã desta quinta-feira

por adm publicado 16/04/2026 16h41, última modificação 16/04/2026 16h41

Nesta manhã de quinta-feira (16), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Hospital Montenegro ouviu um depoimento que expõe, em detalhes, um cenário de crise humanitária e administrativa na instituição. Conduzida pelo presidente da CPI, vereador Gustavo Oliveira, e pelo relator, vereador Alemão Baumcar, a oitiva contou com a participação dos membros Clau Eberhadt, Fabrícia Souza da Fonseca e Tiago Maratá.

A enfermeira Cíntia Bruch, que atua em centro cirúrgico e obstetrícia, trouxe à tona relatos sobre a sua realidade no hospital.

A enfermeira detalhou sobrecarga de trabalho, citando casos em que um único técnico de enfermagem precisava atender até 10 pacientes ou 12 recém-nascidos simultaneamente, inviabilizando a segurança do cuidado. Ela revelou que técnicos recebem cerca de R$ 1.620,00 por mês, sem reajuste salarial significativo desde 2022, e que os depósitos do FGTS estão atrasados há mais de um ano, uma situação que afeta a maioria dos funcionários e impede o acesso ao saque-aniversário ou à demissão.

O depoimento citou falta de insumos básicos como luvas, fraldas e lençóis, além de medicamentos. Casos graves foram relatados, como a adulteração de uma bolsa de sangue por uma médica anestesista (prática arriscada e fora do protocolo) e a realização de cirurgias eletivas com apenas um médico, utilizando técnicos de enfermagem como auxiliares, o que, segundo ela, viola resoluções do Conselho Federal de Medicina e coloca vidas em risco caso o cirurgião passe mal.

A profissional afirmou ter sofrido assédio moral e testemunhado “testes” humilhantes feitos por superiores, além de relatar que os canais de denúncia internos não geram retorno ou providências. Ela também criticou a falta de atuação do sindicato da categoria, que classificou como “inexistente” diante das necessidades dos servidores: “fizemos denúncia no COREN, fizemos denúncia em ministério do trabalho, e nada foi resolvido, porque ninguém nos dá uma resposta. O sindicato para nós não existe” – relatou.

Sobre o fechamento do Centro Obstétrico, a enfermeira explicou a logística perigosa a que as mães eram submetidas: com médicos em greve por falta de pagamento, as gestantes precisavam ser transferidas para outras cidades (como Sapucaia ou Canoas), gerando ansiedade e risco de parto no caminho, já que as ambulâncias municipais ficavam desfalcadas.

“A minha ideia é ajudar num crescimento, é pedir transparência”, concluiu a depoente, que retorna ao hospital hoje realocada para o setor de saúde mental, e disse temer retaliação.

A CPI seguirá com os trabalhos de investigação, devendo ouvir novas testemunhas na próxima semana.