Lorena Rodrigues: um caso de saúde pública

por mon — publicado 25/04/2016 09h03, última modificação 25/04/2016 09h03
O caso da moradora de rua Lorena Rodriguez - que “fixou” residência numa parada de ônibus em frente ao Hospital Montenegro (HM) - virou questão de saúde pública. Segunda (14) foi tema de reunião na Câmara de Vereadores, proposta pelo Progressista Gustavo Zanatta (PP). Presidida pelo Vereador Carlos Einar de Mello (PP) - “Naná”, teve participação do Hospital Montenegro e Secretaria Municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania (SMHAD).
Lorena Rodrigues: um caso de saúde pública

Representantes do Executivo, Hospital e Vereadores

Na abertura, o Vereador Zanatta (PP) disse que o objetivo seria buscar solução para a questão que envolve a senhora Lorena Rodriguez: “não podemos ficar por anos vendo esta pessoa morando em uma parada de ônibus junto ao Hospital Montenegro e não fazer nada”.  Lembrou ter sido procurado por muitas pessoas, pedindo alguma medida. “Vocês do Hospital Montenegro podem relatar melhor, por estarem vivenciando o caso no dia-a-dia”, completou.
Conforme o Supervisor de Segurança do Trabalho do HM, José Leandro de Souza, as tentativas de busca de uma solução foram inúmeras, junto a vários órgãos. Dentre estes, a Vigilância Sanitária, Meio Ambiente, Diretora de Transporte e, como última alternativa, com a Viação Montenegro, para retirar a parada de ônibus que serve de abrigo à senhora. Souza comentou que o Ministério Público está ciente do caso Lorena.
“Existe outro fator mais preocupante, pois, em função da higiene e do número de animais, o local está se tornando uma fonte de proliferação de pragas”, aponta o Técnico de Segurança. A Enfermeira responsável pelo controle de infecções no HM, Cleusa Kunrath, disse que a situação é grave. “Ela está próxima justamente da área onde temos pacientes em isolamento”, alerta. Lorena, além dos animais que mantém consigo, faz suas necessidades fisiológicas no local, o que gera a proliferação de parasitas.
Segundo os profissionais o Hospital Montenegro tomou algumas medidas, como a retirada de praticamente todas as torneiras que ela utiliza, e também colocou um profissional para fazer ronda a cada duas horas no pátio, recolhendo objetos e fezes.                         Conforme as representantes do Executivo - a Assistente Social Neiva Saldanha e a Diretora de Assistência Social Maristela Josiane Paz - várias tentativas foram efetuadas para retirar Lorena. Neiva contou que foram dadas duas casas, pelo Governo Municipal. Mesmo assim, ela retornou para a parada em frente ao HM.  Disse ainda que foi feito contato com o filho, morador em Brochier, que disse que se colocava à disposição. Porém, ela não quer morar com ele e sua esposa.
Saldanha garante que tudo foi comunicado ao Ministério Público. “Houve várias abordagens. Não temos poder para tirá-la do local”, aponta. Conforme Neiva e Josi Paz, o diálogo com o filho evoluiu. Este disse que já que a mãe não quer morar na mesma residência poderia ser feita uma casa para ela na mesma área, mas ele não teria condições para tanto, cabendo então ao Município.
         Os Vereadores Zanatta e Naná alertam que há dois agravantes, e medidas precisam ser tomadas com urgência: a própria saúde de Lorena e também a questão do possível contágio de pacientes no Hospital. Os Vereadores ainda se colocaram à disposição para o diálogo com o Prefeito de Brochier em busca de uma alternativa conjunta, já que o filho de Lorena é deste município.
         No final, acertado que a Diretora de Assistência Social faria uma solicitação de avaliação psicológica de Lorena junto ao CAPS, assim como verificaria a questão jurídica junto à Procuradoria do Município. Nova reunião ficou marcada para daqui a trinta dias, para verificar o andamento.
         O Ministério Público foi convidado, porém, enviou e-mail justificando a impossibilidade de estar presente, em função do acúmulo de serviço. Informaram ainda que foi encaminhado ofício à Secretaria Municipal de Habitação.