Resultados e lições das urnas dominaram discursos na sessão da Câmara
Diferentes maneiras de encarar o saldo das urnas foram manifestadas, como a de Ari Müller (PDT), primeiro a falar, que não se reelegeu: “não chegamos, mas é assim mesmo, estamos aqui de passagem, uns por mais tempo, outros menos”. A sessão contou com a presença dos Vereadores eleitos Cristiano Braatz, Josi Paz e Érico Velten, além do Chefe de Gabinete Valter Robalo.
O atual presidente Carlos Einar de Mello (PSB) disse que apesar de não se reeleger, estava feliz, “porque desde 1992 não sabia o que era uma derrota nas urnas”. Acrescentou: “não perdemos porque se tivesse sido somente o Vereador Carlos Einar de Mello que não tivesse se reelegido, seria mais lamentável”. “Sempre digo que a comunidade coloca e a comunidade tira”, lembra. Parabenizou a toda equipe do PSB, PRB e Solidariedade “por esta grande conquista”, referindo-se à eleição do Prefeito e de três Vereadores.
Iniciando com a menção de que o PSB estará novamente na Prefeitura em 2017, por mais quatro anos comandando Montenegro, a Vereadora Rose Almeida, do mesmo Partido, dia que “a comunidade reconheceu a quem já fez”. Citou que o PSB, que não tinha Prefeito nem Vereador na atual legislatura, ganhou um Prefeito e, além dela, mais dois Vereadores na Câmara, sendo em 2017 a maior bancada, composta por ela, Josi Paz e Valdeci (PSB).
“Sempre defendi que numa Câmara, se unirmos a experiência dos mais velhos com a garra e a vontade da juventude, dá para fazer um belo trabalho. Agradeço aos 869 eleitores que confiaram em mim e me reconduziram pela quinta vez. A pomba branca, a pomba da paz do PSB, voou mais alta e deu esta grande diferença de votos”, alinhavou.
Dos veteranos, Edgar Becker (PMDB), há 16 anos na Câmara, disse que sai de cabeça erguida. “Não tem porque sair abalado, até porque sou um Vereador que mantive por longo tempo, nesta Casa, uma posição de não estar criticando, ofendendo colegas. Com certeza, não tive brigas, atritos, com ninguém”.
“Vivemos quatro anos de muita turbulência”
Um dos concorrentes ao Palácio Rio Branco na eleição de dois de outubro, o Vereador Roberto Braatz (PMDB), fez diretamente da tribuna um cumprimento especial ao filho, Cristiano Braatz, que ocupará cadeira no Legislativo a partir de 1º de janeiro: “fizeste uma campanha limpa, honesta, correta. As pessoas souberam reconhecer o trabalho que teu pai fez aqui na Câmara e lhe conduziram, pela primeira vez, ao Poder Legislativo, o que para mim é uma honra muito grande”.
Na sequência, disse esperar que Cristiano tivesse uma atuação independente, “tendo cuidado com aqueles discursos que parecem muitas vezes calorosos, mas por trás não é bem assim”. Recomendou ao filho: “fique esperto, muito atento. Aquilo que for do interesse do município seja favorável. O que não for, denuncie, critique, porque este é o papel do Vereador. Jamais te troque por cargos, jamais te vendas, por qualquer valor. Seja homem, seja íntegro. Sejas aquilo que as pessoas honestas, honradas, querem de um político”.
Por sua vez, o Vereador Renato Kranz (PTB) comentou que no país a função do Poder Legislativo está “extremamente desgastada”. “Nós, aqui, vivemos quatro anos de muita turbulência. Passamos pela cassação de um Prefeito, o que é inédito na história do município, e trabalhamos em duas CPI’s”. Kranz, que será primeiro suplente de Vereador na próxima legislatura, diz que isto já é, por si, “um feito grandioso”.
Avalia ainda que o PTB cresceu muito em Montenegro nesta eleição, elegendo dois Vereadores, passando de um eleito em 2012, por uma coligação, para dois, sem estar coligado. Considera que a comunidade colocou setenta por cento do Poder Legislativo na oposição, “que não poderá ser uma oposição raivosa, para prejudicar a sociedade. A divergência de ideias, o contraditório, faz parte do processo democrático, é importante e necessário. A construção democrática não se faz com unanimidade, se faz com a divergência, o contraditório”.
“No último pleito, as urnas deixaram um recado muito sério a toda classe política, não somente a nós que não nos reelegemos, assim como para os que estão chegando”, iniciou o petista Marcos Gehlen. Disse discordar da visão de que setenta por cento não votou em apoio à atual gestão: “o povo, a sociedade, votou nas pessoas, votou naquilo que viu. O povo viu um governo que em dezesseis meses fez mais do que muitos, em muito tempo”.
Citou que em um momento da atual legislatura “a Câmara esteve no primeiro lugar em transparência no estado do Rio Grande do Sul, devido a suas mídias eletrônicas”. Diz que mais uma vez irá mudar de posição, “mas não de bandeira, e não de luta. Tudo que sempre defendi ao longo de minha vida pessoal e minha trajetória de homem público segue, onde quer que eu esteja”.
Considera ter pagado um “alto preço” pela fidelidade a seu Partido, o PT. “Eu não fui derrotado nas urnas, mas sim um projeto político o qual representava. Isto é lamentável. Sabemos de todos os benefícios que o Partido dos Trabalhadores trouxe para o Brasil. Por hora, a situação é insustentável”. Aponta que o pleito de 2016 “deixou um recado muito sério: é o momento de mudanças, de a política se qualificar cada vez mais, e de que, mais do que nunca, as pessoas estão votando nas pessoas, não mais nos Partidos”.
Dorivaldo da Silva também agradeceu pelos 360 votos obtidos. Disse que fez poucos votos porque não pôde fazer mais, tendo obtido cem a menos. Para ele, foi uma de suas maiores votações, sem ter feito um maior trabalho.v